Estacionamento bloqueado e expectativas em aberto na Rua Padre Francisco Álvares
O bloqueio de dezenas de lugares junto ao Hospital da Cruz Vermelha agravou um problema antigo no Bairro Novo de Benfica. Sem prazos para a obra, sem alternativas viáveis e sem gestão de expectativas, os moradores exigem soluções urgentes.
28 de janeiro de 2026
A Plataforma de Moradores do Bairro Novo de Benfica vem alertar para uma situação que se arrasta há vários anos e que se agravou significativamente nos últimos meses: a perda continuada de lugares de estacionamento na zona da Rua Padre Francisco Álvares, sem soluções compensatórias e sem informação clara sobre prazos ou responsabilidades.
Recentemente, foram colocados perfis de betão ao longo do estacionamento junto ao muro de contenção do Hospital da Cruz Vermelha, eliminando dezenas de lugares que eram essenciais para os moradores. A medida foi justificada por razões de segurança, face ao risco associado ao estado do muro — uma preocupação que os moradores compreendem e não contestam.
O problema surge na ausência de planeamento, comunicação e gestão de expectativas. A possibilidade de encerramento deste estacionamento já tinha sido colocada pelo menos desde 2024, mas desde então não houve qualquer avanço visível na obra de requalificação do muro. Hoje, o estacionamento está bloqueado, mas continuam a não existir prazos, calendário ou informação clara sobre quando a situação será resolvida.
Alternativas que não são alternativas
Como solução provisória, foi apontado o parque de estacionamento da EMEL em Sete Rios. Para quem vive no bairro, esta opção não é realista: implica deslocações a pé prolongadas, incompatíveis com o dia-a-dia de famílias, pessoas idosas, residentes com mobilidade reduzida ou simplesmente com uma vivência urbana normal.
Está também a ser equacionada a possibilidade de estacionamento noturno nas instalações do Hospital da Cruz Vermelha. Embora positiva, esta hipótese é manifestamente insuficiente. Muitos moradores trabalham a partir de casa e utilizam pouco o automóvel durante o dia — um comportamento alinhado com os objetivos de mobilidade sustentável da cidade — e uma solução limitada ao período noturno não resolve o problema de fundo.
Um problema antigo que se agravou
Importa ainda sublinhar que o estacionamento em segunda fila e o caos viário associado não são fenómenos recentes. Trata-se de uma realidade com vários anos, que se traduz diariamente em buzinas constantes, bloqueios de circulação e perturbação do descanso, incluindo durante a noite e a madrugada. A eliminação de mais lugares sem alternativas só veio intensificar este problema.
O que os moradores exigem
A Plataforma de Moradores do Bairro Novo de Benfica não pede o impossível. Exige apenas:
Informação clara sobre quem é responsável pela obra do muro e qual o seu estado atual
Um calendário, ainda que indicativo, para a execução da intervenção
Medidas compensatórias eficazes enquanto a obra não avança
Soluções estruturais, como a criação de estacionamento exclusivo para residentes
A segurança é fundamental, mas não pode servir de justificação para decisões prolongadas no tempo, sem resposta concreta para quem vive diariamente no bairro.
Gerir uma cidade implica também gerir expectativas. E, neste caso, elas continuam completamente em aberto.
Sobre a plataforma
A Plataforma de Moradores do Bairro Novo de Benfica nasce da vontade de reforçar a união entre moradores e de criar uma voz coletiva que represente o bairro junto da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica.
Pretendemos promover o diálogo, identificar problemas, valorizar o que já existe de bom e contribuir ativamente para a melhoria da qualidade de vida no nosso bairro.





