Convento de Santo António da Convalescença

Fundado em 1640 na Estrada de Benfica, o Convento de Santo António da Convalescença atravessou séculos de transformação urbana. De espaço religioso a equipamento de ensino, permanece como um marco histórico do Bairro Novo de Benfica.

1 de janeiro de 2019

O Convento de Santo António da Convalescença é um dos edifícios históricos mais relevantes da Estrada de Benfica e um dos marcos que ajudam a compreender a evolução desta zona de Lisboa. Ao longo de vários séculos, o edifício acompanhou as mudanças do território, assumindo diferentes funções e mantendo uma presença constante na vida local.

Implantado num eixo antigo de circulação, a atual Estrada de Benfica, o convento sempre esteve ligado ao crescimento urbano da área. A sua história cruza-se com a passagem de um território marcado por quintas e caminhos antigos para um bairro urbano com escolas, equipamentos e habitação.

Fundação e função original

O convento foi fundado em 1640 com uma função muito concreta: acolher religiosos em convalescença, sobretudo frades da Ordem dos Franciscanos Capuchos. Tratava-se de um espaço de repouso e recuperação, pensado para responder às necessidades físicas e espirituais dos religiosos após períodos de doença ou atividade intensa.

A localização em Benfica correspondia a uma lógica comum na época. Esta zona era então considerada mais saudável e menos densa do que o centro da cidade, reunindo condições vistas como favoráveis à recuperação da saúde.

Organização e arquitetura

O conjunto arquitetónico segue um modelo conventual claro e funcional. A planta é quadrangular e organiza-se em torno de um claustro central, elemento estruturante do edifício, a partir do qual se distribuem as diferentes alas.

No piso inferior desenvolvem-se galerias com arcadas de ordem toscana, enquanto o piso superior assegura a circulação entre as várias dependências conventuais. Esta organização reflete uma arquitetura pensada para a vida comunitária, com soluções simples e eficazes.

Apesar da sobriedade geral, o edifício apresenta elementos de épocas posteriores, resultantes de adaptações e reformas ao longo do século XIX, visíveis sobretudo em alguns espaços interiores.

Na fachada principal, o revestimento azulejar destaca-se como um dos elementos mais marcantes do conjunto, conferindo-lhe uma presença clara no espaço público da Estrada de Benfica.

Relação com a nobreza

Ao longo da sua história, o convento contou com o apoio de famílias da nobreza, entre as quais a dos Correios-Mores do Reino, que aqui detinham direito a panteão. Esta ligação reforça a importância institucional do edifício e a sua integração nas redes sociais e religiosas do seu tempo.

Mudança de funções após 1834

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento deixou de ter uso religioso. Como aconteceu com muitos edifícios semelhantes em Lisboa, passou a acolher funções civis, adaptando-se às necessidades da cidade.

Durante o século XX, o edifício foi utilizado por diferentes instituições de ensino, incluindo uma escola técnica, a Escola Preparatória Professor Delfim Santos e, mais tarde, a Universidade Internacional. Esta fase marcou profundamente a memória local, associando o antigo convento à vida escolar e académica de várias gerações.

O chafariz e o espaço público

Em frente ao convento encontra-se o Chafariz de Santo António da Convalescença, também conhecido como Chafariz das Águas Boas, construído no início do século XIX e integrado no sistema de abastecimento do Aqueduto das Águas Livres.

A sua construção resultou de pedidos insistentes da população local por um ponto de abastecimento regular, refletindo necessidades concretas de uma área em crescimento. De maiores dimensões e mais ornamentado do que muitos chafarizes da cidade, o conjunto apresenta um espaldar com armas reais e inscrições associadas à Real Obra das Águas Livres.

Para além da função prática, o chafariz teve um papel relevante na vida social da zona. Foi um ponto de encontro quotidiano, contribuindo para a organização do espaço público e para a fixação de usos e percursos em torno do convento.

Um marco do Bairro Novo de Benfica

Apesar das alterações interiores resultantes dos diferentes usos ao longo do tempo, o Convento de Santo António da Convalescença mantém-se como um marco histórico e arquitetónico do Bairro Novo de Benfica.

A sua história reflete a evolução do território: de espaço de recolhimento religioso a equipamento de ensino, sempre integrado na vida do bairro. Hoje, o edifício permanece como referência física e histórica, ajudando a compreender as transformações da Estrada de Benfica e da zona envolvente ao longo dos séculos.

Sobre a plataforma

A Plataforma de Moradores do Bairro Novo de Benfica nasce da vontade de reforçar a união entre moradores e de criar uma voz coletiva que represente o bairro junto da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica.

Pretendemos promover o diálogo, identificar problemas, valorizar o que já existe de bom e contribuir ativamente para a melhoria da qualidade de vida no nosso bairro.

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